Cidades

18/06/2018 11:37

Empresário contrata desembargador aposentado e tenta liberdade no STJ

O ex-sócio da Santos Treinamento – uma das empresas que estaria por trás de um esquema que distribuiu R$ 30 milhões em propinas a políticos e empresários do Estado -, Roque Anildo Reinheimer, interpôs um habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ) na última sexta-feira (15) pedindo a revogação de sua prisão preventiva. Ele foi detido no dia 9 de maio de 2018 durante a deflagração da operação “Bônus” (2ª fase da "Bereré"), do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPE-MT), que investiga a fraude.

A defesa do empresário é de responsabilidade do desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Manoel Ornellas de Almeida. A consulta pública ao processo informa que o pedido de liberdade já está concluso para decisão da ministra Maria Thereza de Assis Moura, da Sexta Turma do STJ. 

Segundo as investigações, Roque Anildo Reinheimer teria ameaçado o ex-CEO da EIG Mercados – a outra empresa que também teria patrocinado as fraudes e que presta o serviço de registro de veículos em alienação fiduciária junto ao Detran de Mato Grosso -, José Kobori. A ameaça teria ocorrido após o rompimento entre as duas organizações em 2014. 

Um dos delatores do esquema, e sócio da EIG Mercados, José Ferreira Golçalves Neto, disse que o episódio fez com que Kobori exigisse a compra de um veículo blindado. “Consta no interrogatório de José Ferreira Golçalves Neto que ‘após cessar os pagamentos das propinas com a Santos [Treinamento], Kobori alegava que estava sendo ameaçado por Roque, tendo Kobori pedido para a empresa comprar uma Mercedes E 250 blindada’, alegação confirmada por José Henrique Ferreira Gonçalves, que afirmou que Valter Koborilhe relatava sofrer ameaças do grupo que representava a empresa Santos Treinamento [...] Afirmações que encontram respaldo na nota fiscal da compra do veículo mencionado”, diz trecho do inquérito.

Além das ameaças relatadas pelo ex-CEO da EIG Mercados, as investigações também apontam que, já no ano de 2017, após o fim dos pagamentos de propinas a Santos Treinamento – que seriam da ordem de R$ 500 mil por mês -, Roque Anildo Reinheimer teria passado a “extorquir” os proprietários da empresa advertindo-os de sua influência junto a deputados estaduais.

“Além disso, no ano de 2017, após a cessão do pagamento da propina através da Santos Treinamentos (de cujo quadro societário Roque Anildo Reinheimer fez parte), Roque Reinheimer passou a extorquir os sócios da EIG Mercados Ltda., exigindo o pagamento de R$ 50.000,00  mensais, sob a ameaça de se utilizar de sua influência política junto à Assembleia Legislativa de Mato Grosso para a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito - CPI a respeito do contrato entre a EIG Mercados”, diz outro trecho das investigações.

Outra acusação contra Roque Anildo é de que, após a deflagração da 1ª fase da “Operação Bereré”, em fevereiro deste ano, ele esteve em Brasília para conversar com os sócios da EIG Mercados. Em uma das ocasiões, ele sequer foi recebido.

As imagens dele na empresa foram fornecidas pelos sócios da EIG ao Gaeco e fundamentais para a deflagração da prisão do empresário.

OPERAÇÃO BÔNUS

O MPE-MT aponta que o deputado estadual preso Mauro Savi (DEM) era o líder de um esquema que envolveu empresários e políticos notórios no Estado. O inquérito policial narra desvios promovidos por uma empresa (EIG Mercados) que prestava serviços ao Detran no registro de financiamento de veículos em alienação fiduciária, além de uma outra organização (Santos Treinamento) que lavava o dinheiro desviado.

O inquérito aponta que a EIG Mercados – que no início dos desvios, em 2009, chamava-se FDL Serviços -, repassava em torno de R$ 500 mil por mês de verbas obtidas pelo serviço que presta ao Detran por meio da Santos Treinamento. A empresa era uma espécie de “sócia oculta” nos trabalhos realizados ao departamento estadual.

O dinheiro chegava a políticos notórios do Estado - como o ex-governador Silval Barbosa, o deputado estadual Mauro Savi, além do ex-deputado federal Pedro Henry -, por meio de depósitos bancários e pagamentos em cheques promovidos pelos sócios da Santos Treinamento, como Claudemir Pereira, também conhecido como “Grilo”.

Além de Mauro Savi também foram presos no dia 9 de maio os ex-sócios da Santos Treinamento,  Claudemir Pereira dos Santos e Roque Anildo Reinheimer, o ex-CEO da EIG Mercados, Valter José Kobori, o ex-Chefe da Casa Civil, Paulo Cezar Zamar Taques, e seu irmão e advogado, Pedro Jorge Zamar Taques.


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